Sinto

Culpa de ter errado sem ter errado.
Que fardo é esse que carrego sem saber
por que? São expiações de meus erros de
outros que não sei quem são.
Culpa de estar vivo sem ao menos viver.

As mínimas coisas que vejo e não faço
me culpam: um gesto, um olhar, uma palavra.
Que gestos? Que olhares? Que palavras?
São as que me atiram num poço infinito.

Ah! Lapso de memória!
Recobra-me a ficção de minha vida!
Quem me dera partilhassem comigo
da minha experiência.
Talvez assim houvesse explicação
ao não sei o que que sinto.

Norberto Kawakami