Jogando Paciência em Dia de Chuva

O jogo começou e esqueci as regras.
Desde a infância tento absorvê-las
sem saber o porquê.
Agora de que mais necessito…
sequer as recordo.

Atiro as cartas ao alto e
a chuva a molhar a minha alma.

Desejos. Loucura. Imensidão.

Observo a queda, uma a uma,
através do vidro da janela.

As recolho? Impossível.
Não consigo sequer mover meus
sentimentos, minha inércia.

Lágrimas do tempo.
Sussurros do vento a empurrar
uma a uma para longe de mim…

Quem me dera restasse ali, junto à grama,
úmida e solitária,
uma dama de um naipe qualquer.

Norberto Kawakami