À deriva


E disseram-me que a vida é curta.
Pois que o seja!
Abreviá-la num instante de loucura.
Isto é o viver.

Que me importa se vivemos ou morremos?
Nada fica. Nada é perene.
Mas continuo.

Percebo que tudo o que sou, fui
e serei é apenas vaidade.
Nada que valha a pena.
Nem mesmo quando direi:
"Eis-me aqui!
  Eu existo!"
o será por realidade.
Realidade?
Há muito que já nem sei o que
isto significa.

Pura inércia.
E prossigo em frente sem duvidar
que lá adiante, não muito longe,
eu estarei a concluir que
nada somos além daquilo que deixamos
de ser a cada dia que passa.

Norberto Kawakami