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À deriva
E disseram-me que a vida é curta. Pois que o seja! Abreviá-la num instante de loucura. Isto é o viver.
Que me importa se vivemos ou morremos? Nada fica. Nada é perene. Mas continuo.
Percebo que tudo o que sou, fui e serei é apenas vaidade. Nada que valha a pena. Nem mesmo quando direi: "Eis-me aqui! Eu existo!" o será por realidade. Realidade? Há muito que já nem sei o que isto significa.
Pura inércia. E prossigo em frente sem duvidar que lá adiante, não muito longe, eu estarei a concluir que nada somos além daquilo que deixamos de ser a cada dia que passa.
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